China sinaliza abertura para parceria em terras raras com o Brasil
Presidente do Ibram diz que a China não demonstra resistência a cooperar com o país, em meio ao reforço bilionário dos EUA à USA Rare Earth.
A China sinalizou disposição para firmar parceria com o Brasil na cadeia de terras raras, incluindo o possível compartilhamento de tecnologia de separação de elementos — um dos principais gargalos do setor no país. A informação é da CNN Brasil.
Pablo Cesário, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), disse à reportagem que conversas recentes com a embaixada chinesa e agentes do país indicam abertura a parcerias. "As conversas que tive com a embaixada e agentes chineses são de abertura a parcerias. Eles têm algumas restrições aos Estados Unidos, mas não me parece haver qualquer resistência à cooperação com o Brasil", afirmou Cesário, acrescentando não ver "limites na cooperação com a China, os Estados Unidos ou qualquer investidor".
A China responde por cerca de 94% da produção mundial de ímãs permanentes sinterizados, um dos usos mais estratégicos das terras raras. Do lado americano, o governo ampliou recentemente o apoio à USA Rare Earth: a empresa recebeu acesso a até US$ 1,6 bilhão em recursos públicos — US$ 277 milhões em financiamento federal e até US$ 1,3 bilhão em empréstimos —, em troca de 16,1 milhões de ações e cerca de 17,6 milhões de bônus conversíveis da companhia para o governo dos EUA.
No Brasil, a CNN Brasil cita empresas como Viridis Mining & Minerals, Meteoric Resources, St George Mining, Aclara Resources, Atlas Critical Minerals e a Serra Verde — já produtora comercial no setor — como protagonistas da corrida por terras raras no país.
Análise MINENEWS: a disputa entre China e Estados Unidos por terras raras coloca o Brasil numa posição pouco comum: cortejado pelos dois lados ao mesmo tempo. Para o setor mineral brasileiro, isso pode acelerar o acesso a tecnologia de processamento — historicamente o principal gargalo da cadeia no país —, mas também exige atenção a quem financia o quê, já que ambos os blocos buscam garantir fornecimento sem depender um do outro.


