Hydro reduz em 33% emissões da Alunorte e amplia agenda de baixo carbono no Pará
Refinaria de alumina do grupo opera hoje com pegada de carbono quase três vezes menor que a média global da indústria, enquanto a mina de bauxita em Paragominas concluiu recuperação ambiental com 11 anos de antecedência.
A Hydro, gigante norueguesa do alumínio com operações integradas no Pará, reduziu em 33% as emissões de carbono da refinaria Alunorte em relação a 2017. A unidade opera hoje com intensidade de 0,445 tonelada de CO₂ por tonelada de alumina produzida, contra uma média global da indústria de 1,285 tonelada, segundo dados divulgados pela companhia e reproduzidos pela CNN Brasil.
A redução veio da substituição integral do óleo combustível por gás natural na planta e da instalação de três caldeiras elétricas abastecidas por energia renovável. Juntas, as medidas evitaram a emissão de 1,4 milhão de toneladas de gases de efeito estufa. Do lado da mineração propriamente dita, a Mineração Paragominas, também do grupo, já reabilitou mais de 3.750 hectares desde 2009, equivalente a cerca de 5.250 campos de futebol, cumprindo um compromisso de recuperar em até dois anos cada área lavrada. O projeto de recuperação ambiental da mina, batizado PRADA, foi concluído com 11 anos de antecedência em relação ao prazo original. Levantamentos em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Universidade Federal do Pará (UFPA) já registraram 449 espécies de animais nas áreas reabilitadas, 19 delas constando em listas de ameaça de extinção.
A companhia também amplia o uso de biomassa de caroço de açaí em substituição ao carvão em seus processos, com previsão de consumir 130 mil toneladas do insumo até o fim de 2026, cinco vezes o volume testado em 2023. As iniciativas se encaixam na meta global da Hydro de cortar 30% das emissões até 2030, com 2018 como ano-base, e zerar o balanço líquido até 2050. A companhia diz já ter alcançado 18,7% de redução nas emissões globais e recebeu o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, principal certificação nacional de inventários corporativos de gases de efeito estufa.
O movimento não é isolado no estado. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) persegue meta própria de cortar até 40% das emissões entre 2019 e 2030 ao longo de toda a cadeia, da mineração à produção de alumínio, e já registrava redução de 26,1% em 2023. A Mineração Rio do Norte, também instalada no Pará, anunciou investimento de R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão para conectar suas operações ao Sistema Interligado Nacional, o que deve cortar cerca de 21% de sua pegada de carbono a partir de 2027. A Hydro, por sua vez, já investiu R$ 12,6 bilhões no Brasil desde 2022 em energia mais limpa e tecnologias de baixo carbono.
O Pará concentra hoje boa parte da aposta do setor mineral brasileiro em descarbonização, muito em função do peso da cadeia de bauxita-alumina-alumínio no estado e da pressão de mercados importadores por metal com menor pegada de carbono. Governo estadual e Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) têm associado publicamente a atração de investimento no Pará à narrativa de transição energética, com estimativa de R$ 73 bilhões em aportes esperados para a mineração local nos próximos anos.
Para quem acompanha a cadeia do alumínio, o dado mais relevante é a distância que já separa a Alunorte da média global de emissões do setor: quase três vezes menor. Isso tende a pesar cada vez mais em contratos com compradores que já cobram metas de descarbonização de seus fornecedores, num momento em que mecanismos como o CBAM europeu (taxação de carbono na importação) começam a mudar o cálculo de competitividade de quem produz alumínio fora da Europa.

