Votorantim vende controle da Nexa à sueca Boliden e vira maior acionista da mineradora
Troca de ações avalia a fatia da Votorantim na Nexa em US$ 1,3 bilhão e cria uma plataforma global de zinco e cobre de cerca de US$ 20 bilhões.
A Votorantim fechou acordo definitivo para vender o controle da Nexa Resources à sueca Boliden, em uma operação inteiramente paga em ações que avalia a fatia do grupo brasileiro na mineradora em US$ 1,3 bilhão. Pelos termos do negócio, cada ação da Nexa será trocada por 0,250 ação ordinária da Boliden, o que eleva a participação da sueca na companhia para 64,68% do capital total e dos direitos de voto.
A Votorantim detinha 64,7% da Nexa e passa, com a troca, a deter cerca de 7% do capital da Boliden, tornando-se a maior acionista individual da mineradora sueca. O grupo brasileiro também garantiu o direito de indicar um representante ao conselho de administração da Boliden, condicionado à aprovação da autoridade sueca de investimento estrangeiro direto. Segundo o NeoFeed, a Votorantim deve receber cerca de 21,4 milhões de ações da Boliden, negociadas na bolsa de Estocolmo, e ficará sujeita a lock-up escalonado: 25% das ações travadas por um ano, 25% por dois anos e 25% por três anos.
A transação avalia a Nexa inteira em US$ 2 bilhões, ou US$ 3,7 bilhões incluindo dívida, segundo o NeoFeed. O preço implícito de US$ 15,29 por ação representa prêmio de 27% sobre o fechamento de 1º de julho e de 14,2% sobre a média das cotações dos 20 pregões anteriores àquela data, de acordo com o Brazil Journal. A conclusão do negócio está prevista para o primeiro trimestre de 2027, sujeita à aprovação dos acionistas da Boliden, à aprovação do novo conselho da Nexa e a autorizações regulatórias. Encerrada essa etapa, a Boliden pretende lançar uma oferta em dinheiro pelas ações remanescentes da Nexa em posse de acionistas minoritários, hoje cerca de 35% do capital.
A operação junta duas mineradoras de metais básicos com pouca sobreposição geográfica. A Boliden opera principalmente na Suécia, Finlândia, Noruega, Irlanda e Portugal; a Nexa soma cinco minas e três fundições no Brasil e no Peru, entre elas Cajamarquilla, a maior fundição de zinco das Américas. Juntas, as duas companhias passam a somar 12 unidades de mineração e oito fundições nos dois continentes, com produção combinada, em 2025, de 667 mil toneladas de concentrado de zinco, 137 mil toneladas de cobre, 140 mil toneladas de chumbo e 783 toneladas de prata, além de mais de 1 milhão de toneladas de zinco metálico nas fundições. Nos doze meses até junho de 2026, a receita combinada somou 136 bilhões de coroas suecas (US$ 14,5 bilhões), com Ebitda de 38 bilhões de coroas (US$ 4 bilhões).
O presidente-executivo da Boliden, Mikael Staffas, associou o negócio ao objetivo de consolidar a companhia entre os maiores fornecedores globais de zinco e ampliar de forma relevante sua capacidade de produção de prata.
A venda confirma um movimento que a Votorantim já vinha sinalizando: trocar o controle direto de operações industriais por participações em companhias maiores e listadas, monetizando ativos que antes geria sozinha. O grupo já havia percorrido caminho parecido com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), listada na B3 desde 2021. A Nexa, por sua vez, nasceu da integração das operações brasileiras da Votorantim Metais com a peruana Milpo e chegou a ter ações negociadas em Nova York e Toronto, sempre sob controle majoritário da Votorantim.
O momento também reflete o cenário do mercado de zinco. Projeções do setor apontam equilíbrio apertado entre oferta e demanda global até 2026, com cinco grandes projetos, entre eles Ozernoye e Kipushi, respondendo por boa parte do crescimento esperado na produção mundial de minério. Nesse contexto, ganhar escala e diversificação geográfica se torna argumento central para operações como a da Boliden com a Nexa, que cria uma plataforma avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, com capitalização de mercado da própria Boliden hoje em torno de US$ 17 bilhões na bolsa de Estocolmo.
Para o setor mineral brasileiro, o desfecho interessa por dois motivos: tira da Votorantim o controle direto de uma das maiores produtoras de zinco do país e coloca a governança das operações de Cajamarquilla, Vazante e Aripuanã sob uma companhia europeia com agenda própria de alocação de capital. A tramitação da oferta pelos minoritários da Nexa ao longo dos próximos meses, e a forma como a Boliden fixará a bandeira das operações latino-americanas dentro do novo grupo, são os próximos pontos a observar até o fechamento previsto para o início de 2027.


