Presidente do Ibram defende protagonismo do Brasil na corrida global por minerais críticos
No encerramento do Fórum Estadão New Mining, Pablo Cesário citou a segunda maior reserva mundial de terras raras do país como base para transformar potencial em investimento e liderança setorial.
O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, defendeu que o país assuma um papel de protagonista na disputa global por minerais críticos ao discursar no encerramento do Fórum Estadão New Mining - Minério Verde, realizado em 20 de agosto no Espaço JK Eventos, em São Paulo.
O evento, promovido pelo Estadão, reuniu autoridades, executivos, pesquisadores e especialistas para debater o papel estratégico do Brasil diante da disputa internacional por insumos como lítio, níquel, cobalto e terras raras, considerados essenciais para a transição energética, a indústria de semicondutores, a defesa e a infraestrutura digital. A programação foi dividida em três painéis: mineração em áreas sensíveis, a corrida por minerais críticos e o avanço da automação e da inteligência artificial na atividade, batizado pelo fórum de "Mineração 4.0". Antes da fala de encerramento de Cesário, subiram ao palco Anderson Baranov, presidente do Conselho Diretor do Simineral; Vinicius Alvarenga, CEO da Companhia Brasileira de Lítio; Tito Martins, consultor sênior e conselheiro de empresas; Patrícia Seoane, sócia e líder de mineração da PwC Brasil; e José Carlos Martins, presidente da Cedro Participações.
A produção mundial de minerais críticos está concentrada em poucos países, com destaque para a China, segundo o panorama apresentado no fórum. Nesse cenário, o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, atrás apenas do território chinês, com ocorrências identificadas em doze estados, entre eles Goiás, Minas Gerais, Pará, Bahia e Amazonas.
A fala de Cesário em São Paulo repete um discurso que o dirigente do Ibram já vinha construindo publicamente. Em 30 de junho, no evento CNN Talks: Nova Era da Mineração, também em São Paulo e com a presença do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Cesário afirmou que "mais do que jogador, o Brasil precisa ser protagonista nas discussões sobre mineração do futuro". Na ocasião, ele citou o avanço do PL 2780/2024, que trata de minerais críticos e estratégicos e foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, como um raro ponto de consenso entre parlamentares de campos opostos.
Cesário tem cobrado ainda mudanças no financiamento do setor. Segundo ele, há mais mineradoras brasileiras listadas em bolsas do Canadá e da Austrália do que na B3, e o Ibram defende a adoção de mecanismos como o flow-through shares, modelo de incentivo fiscal usado por canadenses e australianos para atrair capital à exploração mineral, como forma de reverter esse quadro.
A repetição do discurso do Ibram em dois eventos de peso em menos de dois meses indica uma estratégia deliberada de posicionamento do setor mineral na pauta da transição energética e da segurança de cadeias de suprimento, num momento em que Estados Unidos e países europeus buscam alternativas à dependência de fornecedores chineses de minerais críticos. Para a entidade, transformar reservas em protagonismo depende de avançar em paralelo em três frentes: tecnologia de processamento, financiamento doméstico e ambiente regulatório previsível.
No mesmo Fórum Estadão New Mining, o painel sobre mineração em áreas sensíveis discutiu ameaças ao setor, incluindo crime organizado e mineração ilegal, apontados por especialistas como obstáculos à consolidação da atividade formal no país.

