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NotíciaTerras Raras · 01 de outubro às 15:09 · Atualizado em 01 de outubro às 15:19

Lynas compra Meteoric e assume maior projeto de terras raras fora da China, em MG

Negócio de R$ 3,48 bilhões em ações dá à mineradora australiana o controle do projeto Caldeira, em Poços de Caldas, e ainda depende de aprovação do novo conselho brasileiro de minerais estratégicos

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Por Redação

A australiana Lynas Rare Earths fechou um acordo vinculante para comprar 100% da Meteoric Resources por R$ 3,48 bilhões (cerca de AU$ 968 milhões, ou US$ 672,76 milhões), em uma operação paga integralmente em ações. O negócio dá à Lynas o controle do projeto Caldeira, em Poços de Caldas (MG), descrito pela empresa como o maior depósito conhecido de argila iônica com óxidos de terras raras fora da China.

A transação será feita por meio de um scheme of arrangement, mecanismo do direito societário australiano equivalente a uma incorporação aprovada em assembleia. Pela proporção acertada, cada ação da Meteoric será troca por 0,0207 ação da Lynas, com base na média de 60 dias do preço da ação australiana. O conselho da Meteoric recomendou a aceitação da oferta por unanimidade. Como parte do acordo, a Lynas oferece uma linha de crédito-ponte de até AU$ 110 milhões para financiar o avanço do projeto, com desembolso inicial de AU$ 35 milhões após a assinatura e as parcelas seguintes condicionadas ao cumprimento de etapas específicas.

O projeto Caldeira já tem estudo de viabilidade definitivo (DFS, na sigla em inglês) concluído, com produção média anual estimada em 3.862 toneladas de óxido de neodímio-praseodímio (NdPr) e 127 toneladas de disprósio-térbio (DyTb) ao longo da vida da mina. Esses dois pares de elementos são os mais usados na fabricação de ímãs de alto desempenho para motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa, justamente o segmento onde a demanda ocidental por fontes fora da China é mais urgente. O presidente do conselho da Lynas, John Humphrey, disse que a aquisição vai ajudar a empresa a manter a liderança na cadeia global de suprimentos de terras raras. Já o presidente do conselho da Meteoric, Andrew Tunks, afirmou que o negócio valida a qualidade do projeto e traz à operação "a experiência técnica, a credibilidade global e a força de balanço" da Lynas. A companhia australiana pretende manter a atual gestão da Meteoric no Brasil e avaliar oportunidades de processamento local dos minerais.

O negócio chega num momento de reorganização acelerada do setor de terras raras no Brasil. O país tem a segunda maior reserva do mundo, estimada em cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, com destaque para depósitos de argila iônica ricos em elementos pesados, mais escassos e mais valorizados. Outros projetos brasileiros do setor, como os da Viridis Mining, Aclara Resources, Brazilian Rare Earths e Serra Verde (esta última comprada recentemente pela americana USA Rare Earth com aporte do Pentágono, como o MINENEWS noticiou), seguem a mesma lógica de consolidação por capital estrangeiro em busca de uma alternativa à cadeia chinesa, que hoje refina cerca de 90% do suprimento mundial e dita os preços do mercado. Juntas, Lynas e a americana MP Materials já respondem por algo entre um quarto e um terço da demanda global fora da China, e a Lynas projeta produção total de 16.100 toneladas de terras raras em 2026, alta de 53% em relação ao ano anterior.

A compra também testa, na prática, a nova Lei 15.506, que criou o Conselho Nacional de Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) e passou a exigir aval do governo brasileiro para mudanças de controle em empresas com direitos minerários sobre recursos considerados estratégicos. A própria Meteoric já sentiu o efeito da incerteza regulatória: suas ações caíram 9,3% na semana de 27 de agosto a 3 de setembro, junto com outras mineradoras de terras raras com projetos no Brasil, como Rare Earths Americas (-17,2%), St George Mining (-13,2%) e Brazilian Rare Earths (-11,1%), em reação às regras ainda pouco claras sobre homologação de contratos de longo prazo e critérios para mudança de controle societário. Mesmo assim, a Lynas decidiu avançar com a aquisição, sinal de que a empresa aposta em conseguir a aprovação do Cimce apesar da indefinição regulatória ainda em curso.

Para quem acompanha o setor mineral brasileiro, o desfecho desse processo de aprovação vai servir de termômetro para o apetite de capital estrangeiro por ativos estratégicos no país sob a nova lei: se o negócio Lynas-Meteoric passar pelo crivo do Cimce sem entraves relevantes, isso deve reduzir a aversão a risco que vem pressionando as ações do setor desde o anúncio da legislação. Se travar ou for condicionado de forma pesada, a sinalização será a oposta.

O próximo marco a observar é a submissão formal do negócio à aprovação judicial australiana e à assembleia de acionistas da Meteoric, além do início da análise do Cimce no Brasil, ainda sem prazo definido.

Fonte original: Estadão

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