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Ouro · 28 de agosto às 19:56

PF desmantela esquema de ouro ilegal entre Mato Grosso e São Paulo

Operação Arcanjo mirou grupo que negociava ouro de garimpo ilegal entre Poconé (MT) e São José do Rio Preto (SP), na mais recente de uma série de operações da PF contra o setor em 2026.

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Por Redação

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Arcanjo contra um grupo suspeito de comercializar ouro de origem ilícita entre o Mato Grosso e São Paulo, cumprindo 22 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva.

Segundo a corporação, o esquema começava em Poconé (MT), onde o ouro era adquirido de garimpeiros ilegais. O material seguia depois para São José do Rio Preto (SP), onde ficava sob custódia num estabelecimento até ser repassado a compradores finais. O grupo movimentou R$ 5,2 milhões e negociou cerca de 17,3 quilos de ouro, de acordo com a PF.

As buscas aconteceram simultaneamente em seis cidades de três estados: Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Pontes e Lacerda, no Mato Grosso; Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; e São José do Rio Preto, em São Paulo. Os investigados podem responder por usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O modelo de fraude identificado na Arcanjo segue um caminho conhecido para dar aparência legal a ouro de garimpo ilegal no Brasil. Hoje, o garimpeiro leva o material a uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), autorizada pelo Banco Central e pela Receita Federal a comprar o metal, e declara por conta própria onde ele foi extraído. Sem um sistema de rastreabilidade física do ouro, essa autodeclaração é hoje o principal ponto de fraude da cadeia, um problema que o Supremo Tribunal Federal atacou em 2025 ao encerrar a chamada "presunção de boa-fé" das DTVMs, e que um projeto de lei já aprovado na Câmara e agora em tramitação no Senado tenta resolver de vez, com marcação física do metal e registro obrigatório de cada transação da cadeia produtiva.

A Arcanjo entra numa sequência de ações da PF contra o garimpo ilegal ao longo de 2026: em janeiro, a corporação já tinha deflagrado a Operação Ouro na Fronteira, em parceria com a polícia da Bolívia, e em maio participou de uma ação conjunta com o ICMBio dentro da Estação Ecológica Juami-Japurá, no Amazonas. No ano anterior, a PF apreendeu 447 quilos de ouro ilegal, o maior volume já registrado pela corporação.

O reforço na fiscalização chega num momento em que o mercado de ouro brasileiro já enfrenta pressão de credibilidade: estimativas apontam que a extração ilegal na Amazônia movimenta US$ 3,88 bilhões por ano, e levantamentos independentes identificaram sinais de irregularidade em 77% dos sítios de garimpo mapeados em 2022. Para o setor formal, a aprovação do novo marco de rastreabilidade tende a elevar o custo de operar fora da lei, mas também aumenta a exigência de comprovação de origem para quem compra e revende ouro dentro da legalidade.

O grupo preso na Operação Arcanjo é o mais recente identificado dentro desse fluxo entre garimpo ilegal e mercado formal que o novo marco regulatório tenta fechar.

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